![]() |
|||||||||||
|
|||||||||||
|
|||||||||||
|
Presentes indesejados são vendidos no Ebay Milhões de utilizadores utilizam o portal para se desfazer do que não gostaram no Natal. De todas as actividades humanas oferecer prendas é uma das mais ineficazes, pelo menos do ponto de vista económico. A explicação é simples: a maioria dos presentes não corresponde às opções pessoais de cada um, logo, o valor que lhes atribuímos é inferior ao seu preço de compra. Hoje, a internet pode ser uma alternativa à destruição injustificada dessa riqueza humana que é o tempo e que todos os anos é delapidada por altura do Natal. A solução? Os leilões 'online'. A humanidade sempre soube recuperar o valor de presentes indesejados embrulhando-os de novo e oferecendo-os a terceiros, a quem, muito possivelmente, também não irão interessar. No entanto, a melhor opção é vendê-los 'online', pois acabarão nas mãos de quem lhes dá o devido valor. Mais, quem deles se desfez recebe, em troca, dinheiro para comprar o que sempre quis. Nas próximas semanas, milhares - ou, muito possivelmente, milhões - de pessoas em todo o mundo irão vender 'online' os seus presentes indesejados e comprar o que realmente lhes interessa. O eBay, a maior leiloeira 'online', que conta actualmente com 168 milhões de utilizadores registados, afirma que as semanas após o Natal são particularmente agitadas. Segundo um estudo divulgado pela empresa a 19 de Dezembro, nos EUA mais de metade dos inquiridos disse ter o hábito de se desfazerem dos presentes que não lhes interessam, que nunca irão usar ou que não correspondem aos seus gostos. Um número especialmente elevado, 11%, disse já ter vendido 'online' presentes indesejados. Na faixa etária entre os 25 e os 34 anos, esse valor duplica para 22%. Na opinião de Daniel Nissanoff, um especialista em vendas 'online', os mercados secundários tenderão a crescer em popularidade e liquidez, e poderão operar uma profunda transformação na sociedade dos EUA, que passará de uma lógica de "acumulação" para uma "cultura leiloeira". A sua conclusão baseia-se na experiência - é gestor de um mercado secundário para bens de luxo em portero.com. - e nos sinais que o mercado lhe dá: "Começámos a aceitar este novo estilo de vida e, em breve, iremos adoptá-lo de corpo e alma. Quando isso acontecer, passaremos a falar de propriedade temporária e da contínua substituição dos nossos bens pessoais", escreve. Hoje em dia, nos EUA, a compra de um automóvel foi preterida por acordos de 'leasing', ou seja, já há muitas pessoas a preferir ter um carro temporariamente. E o mesmo irá acontecer com os bens electrónicos, de moda ou retalhistas. No fundo, "a ideia é vendê-los quando já nos cansámos deles ou queremos ter uma versão mais recente", diz. É natural que esta tendência leve os consumidores a escolher artigos mais valiosos ou topo de gama, que possam gerar mais valor quando vendidos - tal como fazem com os automóveis, uma vez que já existe um mercado secundário altamente líquido para estes bens. Ora, isto servirá de incentivo aos construtores automóveis, que terão todo o interesse em criar carros bons e duradouros. "Poderemos então comprar os bens que realmente queremos, na medida em que passaremos a poder vendê-los quando deixarem de nos interessar ou se tornarem inúteis", realça. "Bem-vindos ao mundo em que uma mala Louis Vuitton, uns sapatos Manolo Blahnikou ou um carrinho de bebé Bugaboo podem ser comprados a um preço simbólico". Para Austan Goolsbee, professor de economia na Universidade de Chicago e ávido comprador/vendedor de bicicletas de corrida no eBay, "muita gente começa a pensar que os novos preços tenderão a subir a partir do momento em que se começar a dizer que o mercado de usados no eBay funciona tão bem que até se está disposto a pagar mais por essa 'coisa nova'". Compradores 'online' no Reino Unido vão vender presentes indesejados Um estudo recente da Nielsen/Net Ratings apurou que 15% dos compradores 'online' do Reino Unido tenciona vender os presentes indesejados, sendo que 35% ponderam ainda essa hipótese. Neste grupo, são mais as mulheres que pretendem fazê-lo do que os homens. Segundo Daniel Nissanoff, o acto de vender presentes indesejados 'online' faz parte de um fenómeno cultural muito mais alargado. Na sua obra 'FutureShop", diz que os norte-americanos se mostram cada vez mais abertos à venda de bens nos mercados secundários. Ora, esta tendência importa - e muito - aos fabricantes de novos bens. O comércio de produtos em segunda mão, tanto no eBay e no Craigslist como noutros sítios 'online', em obras de caridade ou em stands de automóveis em segunda mão, cresceu significativamente nos últimos anos. O eBay, por exemplo - onde a maior parte dos produtos à venda é nova, embora seja vendida fora dos canais retalhistas convencionais -, tem hoje 168 milhões de utilizadores registados e é usado como fonte de rendimento, principal ou outra, por cerca de 750 mil pessoas.
|
|||||||||||
|
|
|||||||||||
|
|||||||||||
home | the book | the author | reviews | articles | auction culture blog | contact | buy site by missmaryk |
|||||||||||